Fundação Telefônica

Tão longe, tão perto.

Núcleo Ciência e Tecnologia

O desenvolvimento humano muitas vezes se confunde com a ação individual de pessoas que, em determinados momentos ao longo da história, despontam como grandes aglutinadoras de ideias. A palavra “genialidade” muitas vezes é usada com uma liberdade perigosa ao nos referirmos a essas pessoas. Não que o valor individual deva ser desconsiderado; no entanto, devemos ter a clareza de que o processo inovador é algo muito mais complexo do que a ação de um único indivíduo.

As inovações são coletivas e aparecem a partir de um processo de maturação intelectual dentro da sociedade. Uma complexa rede interliga o pensamento humano, de forma muitas vezes inexplicável, e faz com que, ao mesmo tempo, em lugares diferentes, pessoas trabalhem no desenvolvimento de ideias similares, ao que poderíamos chamar tanto de processo evolutivo, quanto de imperativo cultural.

A história das telecomunicações é um excelente exemplo desse fenômeno. Desde a antiguidade, os mais diferentes povos se preocuparam, em momentos muitas vezes coincidentes, em resolver a questão de como se comunicar de maneira mais ágil e eficiente e a distâncias cada vez maiores. Percorrendo a história humana e chegando a um passado não tão distante, podemos perceber que a evolução das telecomunicações é reflexo de muitas mentes trabalhando em paralelo, às vezes ao longo de décadas, o que resulta em inovações vistas incorretamente como eventos pontuais. A isso chamamos de “invenções” – a invenção do telégrafo, do telefone, do rádio, do telefone celular, da internet, etc.

O que será visto a seguir é a desconstrução da ideia de que existem invenções isoladas. Elas não existem. Existe, sim, o esforço coletivo, que tem como resultado o processo de inovação tecnológica. Desta forma, todos somos responsáveis pelo processo, mesmo que inconscientemente. Por meio das demandas que aparecem ao longo do processo histórico de desenvolvimento econômico e social, novas necessidades são identificadas.